quinta-feira, 29 de abril de 2010

ABC da recuperação

ABC da recuperação

FONTE: REVISTA TÊNIS


Entenda a importância de dedicar tempo à recuperação após treinos, jogos e lesões e, assim, melhorar seu desempenho

Por Ricardo Takahashi

POR QUE se discute tanto a questão do calendário? Qual a relação entre quantidade de torneios e a incidência de lesões? Tão importante quanto a definição do calendário anual e o planejamento de seus treinos, a recuperação é fundamental no mecanismo de adaptação do organismo às sobrecargas e na melhora do desempenho e rendimento esportivo. Os avanços científicos e tecnológicos têm papel importante nas mudanças do estilo do jogo de tênis. Novos métodos de avaliação e treinamento contribuem para o melhor desempenho físico dos atletas, que buscam incansavelmente mais força, resistência, potência e velocidade em seus movimentos.
Entretanto, pouco se discute sobre a importância da recuperação como parte do planejamento diário, semanal e mesmo anual. Na maioria das vezes, as orientações limitam-se às horas de sono, ao período de descanso semanal (day off) e às férias. O processo de recuperação é multifatorial: aspectos nutricionais, psicológicos, mentais e emocionais são exemplos de tópicos que devem ser considerados na recuperação do tenista após treino, jogos ou lesões. A recuperação pode ser definida como o processo de retorno às condições de base para suportar uma nova carga de esforço, seja físico, seja mental.

FATORES INTERNOS E EXTERNOS

O tipo de piso, estilo do jogador e o ambiente também são fatores que interferem na percepção da fadiga e na escolha da técnica de recuperação. Um jogo prolongado em um dia de calor intenso pode levar à desidratação e hipertermia. Nessas condições, o volume sanguíneo torna-se menor, a sobrecarga do sistema nervoso acentua-se resultando em fadiga precoce, perda de força, velocidade, agilidade e coordenação, além da necessidade de maior tempo de recuperação. Alguns fatores que influenciam a recuperação do jogador são conhecidos:

- fatores internos: condicionamento físico, condições nutricionais e hidratação;
- fatores externos: intensidade e tempo de jogo ou treino, condições ambientais, tipos de piso, equipamentos utilizados.


A) CONDICIONAMENTO FÍSICO:
Um dos pontos mais frequentemente observados são os casos de dor muscular após um treino intenso, jogo prolongado ou durante a fase de correção do gesto esportivo. A ocorrência de dor muscular nesses casos é esperada e, portanto, intervenções de recuperação devem fazer parte do programa do jogador.

A recuperação pode ser definida como o processo de retorno às condições de base para suportar uma nova carga de esforço, seja físico, seja mental.

As lesões ocorrem mais comumente na fase de treino de potência muscular, quando os músculos são exigidos ao extremo, resultando em microlesões e, em longo prazo, em adaptação gradual do corpo àquele nível de trabalho. Logo, os exercícios envolvidos para o desenvolvimento dessa qualidade física não devem ser realizados diariamente, muito menos sem o preparo prévio, ou seja, sem as condições adequadas de força e resistência muscular, bem como o domínio sobre a técnica do movimento. Recomenda-se um intervalo de 48 a 72 horas entre as sessões de exercícios excêntricos para evitar a ocorrência de lesões.

B) ASPECTOS NUTRICIONAIS:
A reserva de glicogênio muscular para a produção de energia é a base para o bom desempenho físico, pois é a principal fonte energética no metabolismo anaeróbico, predominante na prática do tênis. A falta de reserva é responsável pela sensação de fadiga, perda de desempenho e predisposição às lesões.
A avaliação nutricional auxilia na identificação de suas necessidades alimentares e nas alterações que ocorrem ao longo da temporada ou mesmo após um período de treino ou jogo. Às vésperas da competição ou treino mais intenso, aumente a proporção de carboidratos em seu cardápio. Estudos mostram que o melhor período para reposição de carboidratos são os 30 minutos seguintes à prática de atividade física.

C) HIDRATAÇÃO:
A desidratação afeta não somente a parte física – com sensação de fraqueza e desequilíbrio –, mas altera a capacidade de atenção e concentração e pode provocar dor de cabeça e tontura. A sede não é um bom parâmetro para indicar o grau de desidratação. Esse alerta do organismo para a reposição hídrica ocorre quando já aconteceu a perda de aproximadamente um litro e meio de líquido corporal. Assim, a hidratação deve começar até três horas antes da prática esportiva. A capacidade de reidratação durante o jogo não supera a velocidade de perda de líquidos. Dessa forma, os cuidados devem continuar mesmo após o final do esforço físico.

DURANTE A COMPETIÇÃO
Quando há mais de um jogo por dia, procure otimizar sua recuperação entre os jogos. Um banho frio de 10 minutos ajuda na recuperação muscular e tem efeito semelhante aos banhos de imersão. Uma série de alongamento global pode ser realizada com o objetivo de recuperar o comprimento das fibras musculares.
Cada exercício deve ser feito por 10 segundos. Os exercícios com elástico, com menor número de repetições, são realizados para reativar a musculatura. Os cuidados de hidratação e alimentação devem seguir as recomendações anteriores. Caso não haja tempo para uma refeição e tempo de digestão, a reposição de carboidratos pode ser feita com bebidas repositoras.

A PREVENÇÃO AUXILIAR A RECUPERAÇÃO
A atuação na prevenção de lesões também pode ser considerada como intervenção visando a boa recuperação do atleta uma vez que evita o uso inadequado do sistema músculo-esquelético. Dois pontos frequentemente abordados são a estabilização do core e da escápula.
A estabilização lombopélvica (core) tem sido mais divulgada e praticada nos últimos anos. O fortalecimento da musculatura que sustenta o peso corporal é de extrema importância quando se pensa em cadeia cinética. Este conceito refere-se à contração coordenada e sequencial de músculos para desenvolver determinado movimento. A cadeia cinética do saque, por exemplo, envolve desde a contração dos músculos da perna até os músculos do antebraço, passando pelos quadris, coluna, ombro e braço. O jogador que apresenta déficit de força dos músculos do quadril e tronco exigirá até 80% a mais do ombro para obter os mesmos resultados.
Os ombros do tenista tendem a ser assimétricos. A escápula do lado dominante tende a se afastar do tronco em função da exigência predominante dos músculos da porção anterior do ombro. Os músculos trapézio, serrátil anterior e rombóides são os que mais demonstram desgaste após um jogo. O trabalho regular de estabilização da escápula permite a recuperação precoce dos músculos que atuam sobre o ombro, bem como reduzem a ocorrência de lesões.
O treino de flexibilidade deve ser realizado pelo menos uma vez por semana. O tipo de contração muscular conhecido como excêntrica é o principal responsável pela perda gradual e adaptativa do movimento articular. Tenistas costumam apresentam menor grau de movimento das articulações do ombro, quadris e coluna. Essa característica contribui para a ocorrência de lesões por sobrecarga ou quando o movimento ocorre fora dos padrões como, por exemplo, modificação técnica de um golpe.
O músculo demora até três dias para voltar ao seu comprimento normal após uma contração excêntrica. Daí se percebe a importância da recuperação muscular com treinos específicos de flexibilidade.

Dicas
- Quanto mais novo, maior a necessidade de sono – durma de 7 a 10 horas por noite;
- Faça refeições no mesmo horário, pois também é um processo de adaptação corporal;
- Tire um dia de descanso semanal, quando se deve evitar qualquer atividade relacionada ao esporte, permitindo o descanso mental;
- Utilize técnicas como hidroterapia, massagem e acupuntura;
- Avalie e controle o nível de seu condicionamento físico, nutricional e hidratação;
- Avalie com antecedência as condições de viagem (instalações do local do torneio, clima, tipo de alimentação, infraestrutura);
- Busque suporte na equipe multiprofissional (médico, preparador físico, fisioterapeuta, psicólogo, nutricionista, fisiologista).


TRABALHO MULTIDISCIPLINAR
O trabalho da equipe multidisciplinar é cada vez mais difundido e tem seu valor na integração das informações e planejamento global das atividades do tenista. Ajustes no calendário de competições e na intensidade, volume e frequência do treinamento são necessários conforme o comportamento do tenista frente aos desafios do dia-a-dia ou competição. O desequilíbrio entre a quantidade do esforço e qualidade de recuperação pode resultar na síndrome de “overtraining”, condição clínica pouco lembrada ou diagnosticada quando o atleta apresenta queda no seu rendimento. Para obter o melhor rendimento, não basta treinar muito. A recuperação adequada é fundamental para o desenvolvimento das qualidades físicas e mentais do tenista.

Colaborou com o artigo o médico Dr. Gilbert Bang

Treino na SEJEL - Ribeirão Pires

Hoje participamos do treinos de TKD na Sejel.
Um amplo espaço dedicado as artes marciais.
Confiram algumas fotos abaixo:





segunda-feira, 19 de abril de 2010

Atividade Física e Imunidade

por Dr. Gilbert S. Soo Bang

O sistema imune é o responsável pelas defesas do nosso organismo. Sabe-se que há interferência da atividade física sobre a qualidade da resposta imunológica, porém por mecanismos ainda não esclarecidos.

Sabe-se que há participação de hormônios como cortisol e catecolaminas (adrenalina e noradrenalina) além de glutamina, por exemplo, alterando a quantidade e proporção das células de defesa.

Dezesseis atletas da seleção de Taiwan foram acompanhados desde um mês antes de determinada competição até o período pós-competição. Observou-se que o aumento da intensidade dos treinos ao longo do tempo até a competição bem como a redução de peso tinham relação com a queda da imunidade e aumento do índice de infecção das vias aéreas (como resfriado, gripe, amidalite, sinusite).

Alguns estudos mostram que o período de maior risco de se contrair uma infecção após exercício vai de seis horas até 72 horas após a sessão de treino.

Desta forma, pode-se sugerir que a intensidade do treino seja menor nos três dias que antecedem a competição diminuindo o risco de infecção. Não só por isso, mas também para permitir que o organismo recupere as reservas energéticas.

Estresse e sedentarismo contribuem para Lesão por Esforço Repetitivo ( LER ).

Profissionais que passam o dia repetindo movimentos estão expostos a considerável risco de sofrer LER (lesão por esforço repetitivo).

A repetição, porém, não é a única causa. O surgimento das lesões depende também da postura que a pessoa mantém no trabalho, dos intervalos periódicos que ela faz, da rotina de atividades físicas que ela pratica e até da disposição com que ela encara o desempenho da função.

"Quando a pessoa não gosta do trabalho que faz, pode ser que o corpo manifeste esse descontentamento, que a princípio é uma questão psíquica", conta o médico Ricardo Nahas, ortopedista do Hospital Estadual Ipiranga. Quem gosta da função que desempenha tem prazer em trabalhar e está menos sujeito a esse tipo de problema.
Mas, embora o estresse profissional possa acelerar as lesões, a repetição sem intervalos e a postura inadequada são os principais problemas.

"Quem passa o dia repetindo o mesmo exercício precisa fazer intervalos", recomenda Luis Fernando Machado, ortopedista do Hospital Edmundo Vasconcelos. "O ideal é que, a cada 50 minutos de trabalho, a pessoa descanse por outros dez." Já quem tem o hábito de fazer atividades físicas regularmente corre menos risco de sofrer lesões.

O tratamento da LER inclui fisioterapia e medicamentos, mas o essencial é combater as causas do problema, alertam os médicos.

Saiba mais sobre a doença

O que é LER??

É a sigla para lesões por esforços repetitivos, também conhecida como LTC (lesão por trauma cumulativo) ou Dort (distúrbio osteomuscular relacionado ao trabalho).

Trata-se de um problema de saúde que atinge principalmente os membros superiores e é causado pela prática de tarefas com movimentos repetitivos ou posturas inadequadas. Ataca músculos, nervos e tendões, provocando irritações e inflamação

O que mais dói:

Cabeça - 27%
Pescoço - 20%
Costas - 41%
Ombros - 22%
Braços - 19%
Punhos 15%
Dedos - 13%
Pernas - 33%
Pés - 18%


Classificação

As LER podem ser divididas por fases, conforme os sintomas específicos. Em 1984 surgiu uma classificação por estágios, de acordo com a execução do trabalho:

Estágio 1: Dor e cansaço nos membros superiores durante o turno de trabalho, com melhora nos fins de semana

Estágio 2: Dores constantes, sensação de cansaço persistente e distúrbio do sono. Incapacidade para certas funções simples

Estágio 3: Dor, fadiga e fraqueza persistentes. Distúrbios do sono e presença de sinais no exame físico.

Principais causas

Geralmente a LER é causada por movimentos repetitivos e contínuos. Esforço excessivo, má postura, estresse e más condições de trabalho contribuem para aparecimento das LER. Em casos extremos pode causar sérios danos aos tendões, dor e perda de movimentos.

Entre as principais causas estão:

- Ambiente de trabalho desconfortável
- Atividades que exigem força excessiva com as mãos
- Posturas incorretas
- Repetição de movimentos
- Atividades esportivas que exigem grande esforço dos membros superiores
- Compressão mecânica das estruturas dos membros superiores
- Ritmo intenso de trabalho
- Jornada de trabalho prolongada ou dupla jornada

Sintomas

Em geral, dores nas partes afetadas, semelhante à dor de reumatismo.
Há formigamentos e dores que dão a sensação de queimadura ou, às vezes, frio localizado.

Medidas de prevenção

- Em casa, ao acordar, não abra mão de se espreguiçar. Repita esse movimento de alongamento do corpo durante o dia. Além disso, procure fazer exercícios
- Mantenha os punhos retos ao digitar
- Certifique-se de que seus dedos estejam abaixo do nível dos punhos
- Não apóie a palma da mão no teclado
- Tenha um apoio para os pulsos
- Abaixe o seu teclado ou compre um mais ergonômico
- Não segure um objeto na mesma posição por muito tempo
- Descanse as mãos por alguns minutos a cada hora
- Levante objetos usando toda a mão ou com as duas mãos

Principais dúvidas

LER pode causar outras doenças?


Sim. As LER incluem diversas doenças, entre elas tenossinovite, tendinite, epicondilite, síndrome do túnel do carpo, bursite, dedo em gatilho, síndrome do desfiladeiro torácico e síndrome do pronador redondo, além de outras lesões osteoarticulares e até mesmo fraturas

Quem pode ter LER?

Principalmente, pessoas que executam movimentos repetidos por muito tempo. Entre os profissionais mais atingidos estão digitadores, publicitários, jornalistas, bancários e os que têm o computador como instrumento de trabalho

É contagioso?

Não, já que não é causada por vírus, fungos nem bactérias

É causada só pelo trabalho?

Não, também podem ser causada por exercícios físicos que exigem muito esforço e por postura incorreta

Se eu notar algum sintoma, o que devo fazer?

Procure um médico (ortopedista, reumatologista ou neurologista) para uma avaliação, pois só ele pode determinar se há LER e, em caso positivo, qual das doenças relacionadas se desenvolveu.
Também é recomendável interromper a atividade que pode ter causado o problema

Se uma pessoa trabalha com computadores, pode fazer algo para evitar a LER?

Sim. A melhor posição, nesse caso, é a que simula a postura de descanso, ou seja, com as mãos apoiadas sobre as pernas e o corpo levemente para trás.

O que fazer para diminuir os sintomas?

- Reveze tarefas para interromper a repetição dos movimentos
- Faça pausas de dez minutos a cada 50 minutos trabalhados
- Evite ultrapassar seis horas de trabalho de digitação por dia
- Procure manter as posturas corretas e evitar as erradas
- Levante e ande de vez em quando

Como se sentar na hora do trabalho?

- Sente-se com o quadril no fundo da cadeira, o tronco apoiado no encosto e pés apoiados no chão. Coloque o suporte para documento na frente do corpo. Evite trabalhar com o pescoço dobrado. Aproxime a cadeira da mesa e mantenha o tronco e o pescoço retos
- Não trabalhe com o punho dobrado nem com braços elevados
- Não deixe os punhos em desvio lateral

Dúvidas sobre Poomsae: Orgur, Momtong e Arê

Onde fica exatamente as regiões do corpo chamadas, orgur, momtong e aré?

Devido a modalidade de disputa KYORUGI ser a mais promovida, até então sem novidades, há uma confusão na hora da aplicação e execução das técnicas de POOMSAE.

Vejamos:

• No Kyorugi, momtong é a área entre o acrômio (ponta da escápula) e a crista ilíaca (linha superior da bacia), e orgur é toda região acima do colar cervical, ou seja, a base do pescoço incluindo a garganta, aré é a região abaixo da crista ilíaca.

• No Poomsae temos a diferença, enquanto nas regras do Kyorugi as regiões compreendem partes do corpo entre um ponto ao outro, no Poomsae o que chamamos de orgur, momtong e aré possuem pontos exatos, pontos estes fundamentais para a exatidão e precisão no momento da aplicação da técnica.
O ponto orgur é o ponto que fica no lábio superior e chamamos de INJUN, momtong é o ponto que fica no plexus solar e chamamos de MIONCHI, aré fica entre o umbigo e a região genital, chamamos DANJON.

Regiões do corpo para aplicação das técnicas do Taekwondo
[ Fonte: BANG ]

Dúvidas sobre Poomsae: Momtong Makki

A dúvida nesta edição é sobre o Momtong (An) Makki:

• Altura do punho;
• Ângulo do braço;
• Preparação.

Detalhes da técnica:

• No final do movimento observar se o punho e o pulso estão no centro do corpo;
• O braço dobra entre 90º e 120º;
• O punho do braço que bloqueia deve estar alinhado com o ombro;
• Não dobrar o pulso do punho que bloqueia;
• O punho do braço que bloqueia não deve ultrapassar a linha do ombro na preparação da aplicação da técnica.